O principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei 225, despencou nesta sexta-feira (4) pelo segundo dia consecutivo, atingindo o menor nível em oito meses. A queda acontece em meio ao aumento das tensões no mercado global, após o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos.
O índice Nikkei fechou em 33.780,58 pontos, com queda de 955,35 pontos (ou 2,75%) em relação ao dia anterior. No acumulado da semana, o índice perdeu 3.339 pontos — a maior queda semanal da história, segundo a corretora SMBC Nikko Securities.
O índice Topix, que reúne um número mais amplo de ações, também recuou 3,37%, encerrando o dia em 2.482,06 pontos. Os setores que mais sofreram foram bancos, metais não ferrosos, petróleo e carvão.
A tensão no mercado é reflexo direto das medidas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs uma tarifa básica de 10% sobre produtos importados. No caso do Japão, a tarifa foi ainda maior: 24%. A possibilidade de retaliação por parte de outros países aumentou o temor de uma guerra comercial.
A moeda americana também sentiu o impacto. O dólar chegou a cair para a faixa dos 145 ienes em Tóquio, com investidores buscando segurança na moeda japonesa. Às 17h, o dólar estava cotado a 146,27 ienes, levemente abaixo da cotação do dia anterior.
No mercado de títulos, os investidores buscaram ativos mais seguros. O rendimento do título do governo japonês de 10 anos caiu para 1,160%, o menor nível em três meses.
Analistas apontam que o nervosismo do mercado também foi alimentado pela valorização do iene, que reduz os lucros de empresas exportadoras, e pela expectativa em torno dos dados de emprego dos Estados Unidos, previstos para serem divulgados ainda hoje.
“O mercado ficou ainda mais nervoso porque os investidores acreditam que o governo Trump não deve recuar tão cedo nas tarifas”, afirmou Masahiro Ichikawa, estrategista da Sumitomo Mitsui DS Asset Management.
Apesar do cenário negativo, há expectativa de que a situação possa se estabilizar nas próximas semanas. Segundo Maki Sawada, estrategista da Nomura Securities, é possível que os países afetados comecem a negociar com os EUA para rever as tarifas.
“A postura dos Estados Unidos é dura, mas as tarifas podem ser revistas conforme avançarem as conversas com cada país”, disse.
Fonte: Kyodo News