Os furtos de veículos continuam crescendo no Japão. De acordo com a Agência Nacional de Polícia, o número de casos subiu pelo terceiro ano seguido, chegando a 6.080 ocorrências em 2024 — um aumento de 318 em relação ao ano anterior.
Apesar de a maioria dos casos estar concentrada na região de Kanto, que inclui Tóquio, a província de Aichi voltou a liderar a lista de furtos por província, com 866 veículos roubados. Esse número representa um aumento de 168 casos em comparação com 2023.
Aichi é considerada o coração da indústria automobilística do Japão, pois abriga a sede da Toyota e o movimentado Porto de Nagoya, que facilita o envio de mercadorias para o exterior. Por isso, a região tem se tornado um alvo frequente de quadrilhas especializadas em furtos de carros de luxo.
Além disso, segundo a polícia local, a alta concentração de modelos como Land Cruiser, Alphard, Prius e veículos da marca Lexus nas ruas torna o local ainda mais atrativo para os criminosos.
Essas quadrilhas utilizam dispositivos eletrônicos modernos, como o chamado “CAN invader”, que acessa o sistema do carro, destrava as portas e liga o motor em menos de três minutos. Dessa forma, conseguem agir rapidamente, sem levantar suspeitas.
Apesar dos esforços da Toyota e de outras montadoras para melhorar a segurança dos veículos, as medidas ainda não são suficientes. Um dono de Land Cruiser, por exemplo, disse que se sente em um “jogo de gato e rato”, já que, mesmo usando o aplicativo de segurança da montadora, teme que os criminosos consigam invadir o sistema.
Por conta disso, desde julho do ano passado, a polícia de Aichi tem visitado donos dos modelos mais visados para recomendar a instalação de câmeras de segurança e o uso de dispositivos extras de proteção. A ideia é reduzir os furtos por meio de orientação direta e ações preventivas.
Mesmo assim, muitos dos veículos furtados acabam sendo desmontados em ferros-velhos ilegais e enviados ao exterior em contêineres. De acordo com as autoridades, apenas 44,1% dos casos de furto foram solucionados em 2024.
No mês passado, três homens foram presos em Aichi por envolvimento nesse tipo de crime. Com eles, a polícia apreendeu um dos dispositivos usados para invadir os sistemas dos veículos.
Enquanto isso, projetos de lei para endurecer o combate a esse tipo de crime seguem parados no Parlamento. Um deles, apresentado pelo Partido Democrático pelo Povo, propõe maior fiscalização em locais suspeitos e penas mais severas para crimes ligados a organizações criminosas.
Para o deputado Makoto Hamaguchi, é necessário que o país inteiro, e não apenas a polícia, se una no combate ao problema. “Vamos continuar pressionando pela aprovação do projeto, porque essa é uma questão urgente”, declarou.
Fonte: Kyodo News