05/04/2025 00:21

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Japão reage a tarifas dos EUA, cobra retirada e avalia medidas para proteger economia

O governo japonês manifestou forte insatisfação com a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas recíprocas de até 24% sobre produtos japoneses. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, foi classificada como “extremamente lamentável” por autoridades de Tóquio, que afirmam que a iniciativa pode violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o acordo comercial bilateral entre os dois países.

O primeiro-ministro Shigeru Ishiba declarou que as tarifas podem causar prejuízos diretos às relações econômicas entre Japão e Estados Unidos, além de afetar negativamente o comércio global e a estabilidade do sistema multilateral. Segundo ele, os Estados Unidos ignoraram alertas feitos em diferentes níveis diplomáticos e impuseram medidas unilaterais, mesmo após solicitações formais por isenções.

Ishiba afirmou que, se necessário, pretende abordar o assunto diretamente com Trump. Por ora, o governo japonês prioriza a atuação nos âmbitos técnico e ministerial. O ministro da Economia, Comércio e Indústria, Yoji Muto, também classificou a decisão americana como preocupante e disse que o Japão estuda formas de resposta para proteger seus interesses.

A tarifa de 24% foi anunciada como parte de um pacote maior de medidas contra parceiros comerciais que, segundo Trump, mantêm práticas injustas. Em relação ao Japão, o presidente alega um suposto desequilíbrio comercial de 46% e tarifas excessivas sobre produtos americanos, incluindo a acusação de uma tarifa de 700% sobre o arroz, o que foi prontamente negado pelo governo japonês.

O ministro da Agricultura, Taku Eto, declarou que o cálculo apresentado pelos Estados Unidos é “incompreensível” e que, dentro da cota mínima de importação, o Japão não aplica tarifa sobre o arroz. Acima dessa cota, o imposto é fixo: 341 ienes por quilo, valor bem abaixo dos números citados por Washington.

A entrada em vigor da tarifa de 25% sobre automóveis japoneses nos EUA, no mesmo dia do anúncio, elevou ainda mais as tensões. O setor automotivo representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) japonês, e é um dos pilares da economia do país. Em 2024, veículos responderam por 28% das exportações do Japão para os Estados Unidos.

Com o aumento dos impostos, empresas japonesas que operam nos EUA também devem ser impactadas. O Japão tem destacado seus investimentos no mercado americano para tentar reverter a decisão. Segundo o governo, as novas tarifas reduzem a atratividade do mercado norte-americano para empresas japonesas, o que pode acabar prejudicando a economia dos próprios Estados Unidos.

O Instituto de Pesquisa Daiwa estimou que as tarifas de 24% podem causar uma queda de até 0,6% no PIB real do Japão em 2025. Em 2024, o crescimento havia sido de apenas 0,1%.

Diante do cenário, o governo japonês criou uma força-tarefa para analisar os impactos econômicos e abriu cerca de mil centros de consulta para atender pequenas e médias empresas afetadas. Ishiba afirmou que o governo fará o possível para proteger empregos, a indústria nacional e o cotidiano das famílias japonesas, que já enfrentam alta no custo de vida.

Questionado sobre uma possível retaliação, o governo não confirmou nenhuma medida específica, mas também não descartou a possibilidade. O porta-voz Yoshimasa Hayashi disse que o Japão está avaliando todos os caminhos possíveis, respeitando os tratados internacionais, mas com foco na defesa dos seus interesses econômicos.

Fonte: CNN, Japan Times

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