Mesmo com os preços nas alturas, os lares japoneses compraram mais arroz em 2024. Dados divulgados neste sábado (23) pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações mostram que a quantidade de arroz adquirida por famílias com duas ou mais pessoas aumentou 6,3% em relação ao ano anterior.
É a primeira vez desde 2020 — auge da pandemia de COVID-19 — que o consumo de arroz registra crescimento. Em média, cada casa comprou 60,2 kg de arroz no ano passado, 3,55 kg a mais que em 2023.
A alta na procura aconteceu apesar do forte aumento nos preços. Somente em fevereiro de 2025, o arroz ficou 80,9% mais caro em comparação com o mesmo mês do ano anterior — o maior salto desde que esse tipo de dado começou a ser registrado, em 1971.
A compra de arroz se manteve estável até julho, mas disparou 29% em agosto, após o governo emitir um alerta sobre a possibilidade de um megaterremoto. A recomendação gerou uma corrida aos mercados, que ficaram com as prateleiras quase vazias.
Entre setembro e novembro, mesmo com a chegada do arroz da nova safra e a diminuição do risco de desabastecimento, as compras continuaram acima dos níveis de 2023. Em dezembro, houve uma leve queda.
Especialistas apontam que o medo de falta do produto e a expectativa de novos aumentos nos preços levaram muitos consumidores a estocar arroz. Para a maioria das famílias japonesas, o alimento não tem substituto.
Diante da situação, o governo anunciou em fevereiro a liberação de até 210 mil toneladas de arroz dos estoques nacionais. A medida, considerada inédita, tem como objetivo equilibrar a oferta e evitar novos aumentos.
Fonte: Mainichi