O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira a imposição de tarifas de importação para praticamente todos os parceiros comerciais do país. A medida inclui uma tarifa-base de 10% para todos os exportadores e sobretaxas direcionadas a cerca de 60 países com os quais os EUA mantêm déficits comerciais elevados. No caso do Japão, a tarifa será de 24%.
Durante discurso no Jardim das Rosas da Casa Branca, Trump justificou a medida afirmando que a economia americana foi “explorada” por décadas e que agora seria o momento dos Estados Unidos “prosperarem”. Segundo o governo americano, as tarifas mais altas foram calculadas com base nos impostos e barreiras comerciais que outros países aplicam aos produtos norte-americanos.
A nova política entra em vigor em duas etapas: a tarifa-base começa a ser aplicada logo após a meia-noite deste sábado (5) e as tarifas personalizadas, incluindo a do Japão, passam a valer a partir de 9 de abril.
Entre os países mais afetados estão também a China, que enfrentará uma tarifa de 34%, o Vietnã, com 46%, e a Índia, com 26%. A União Europeia será taxada em 20%, enquanto Coreia do Sul e Taiwan terão tarifas de 25% e 32%, respectivamente.
Segundo analistas, a decisão pode gerar impacto direto sobre os preços de produtos importados nos EUA e desencadear retaliações comerciais, agravando tensões globais. O mercado financeiro reagiu negativamente ao anúncio: os índices futuros da bolsa americana caíram, e ações de montadoras como Ford, GM e Tesla registraram perdas.
Trump declarou emergência econômica nacional para justificar a medida e afirmou que as tarifas visam proteger a indústria americana e gerar bilhões em receita para o governo. No entanto, especialistas alertam que os efeitos podem ser rápidos sobre os consumidores, com alta nos preços de veículos, roupas e eletrônicos, enquanto os possíveis benefícios econômicos podem demorar anos.
Apesar das críticas internas e externas, Trump disse que está disposto a rever as tarifas caso os países eliminem suas próprias barreiras comerciais. Por ora, a tensão cresce no cenário internacional, e o Japão se vê entre os alvos principais dessa nova fase protecionista dos EUA.
Fonte: Japan Times